Quase um ano após morte de estudante atropelada por ônibus escolar, motorista é flagrado sem curso obrigatório em Coxim
Letícia Camargo, de 25 anos, morreu após ser atropelada por um ônibus escolar em 2025; nesta quarta-feira (16), PRF abordou outro condutor que transportava crianças, idosos e pacientes sem a capacitação exigida
Quase um ano após a morte da estudante de enfermagem Letícia Camargo, de 25 anos, atropelada por um ônibus escolar em Coxim, um novo caso envolvendo transporte de moradores voltou a levantar questionamentos sobre a segurança e a regularidade do serviço no município.
Nesta quarta-feira (16), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou um motorista que transportava pacientes, entre eles crianças e idosos, sem o curso específico exigido para a atividade. A abordagem ocorreu em uma rodovia na região de Coxim.
O caso acontece meses após a morte de Letícia, que foi atropelada por um ônibus escolar na manhã de novembro de 2025, quando caminhava para o estágio. A jovem era aluna do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e estava prestes a se formar.
Relembre o acidente:
O acidente aconteceu antes das 7h. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil na época, o motorista do ônibus, um servidor público municipal de 47 anos, transportava crianças quando invadiu a calçada e atropelou Letícia.
A estudante chegou a ser socorrida e encaminhada ao hospital, mas não resistiu aos graves ferimentos.
O motorista foi preso em flagrante. Conforme a Polícia Civil, ele estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida havia mais de um ano.
Ainda segundo a polícia, o condutor relatou inicialmente que mexia no celular no momento do acidente, mas posteriormente mudou a versão. No hospital, ele se recusou a realizar o teste do bafômetro e o exame médico e deixou a unidade sem autorização policial.
Horas depois, o homem foi localizado em casa e levado para a delegacia, onde foi autuado em flagrante por homicídio com dolo eventual quando, segundo a definição jurídica, a pessoa assume o risco de produzir o resultado.
A perícia também apontou que o ônibus estava com o para-brisa trincado. O veículo foi apreendido para a realização dos exames periciais.
Novo flagrante:
Agora, quase um ano depois, outro motorista do município foi abordado pela PRF enquanto realizava o transporte de pacientes. De acordo com os agentes, uma consulta ao sistema indicou que não havia registro do curso específico exigido para o transporte realizado.
Os dois casos são distintos e aconteceram em momentos diferentes, mas têm em comum o transporte de moradores de Coxim, incluindo crianças, idosos e pacientes que dependem do serviço para se deslocar a outras cidades em busca de atendimento médico.
Moradora critica situação:
A abordagem provocou indignação entre pessoas que estavam no veículo. Uma das passageiras registrou a situação em vídeo e criticou a falta de regularização do motorista, além das dificuldades enfrentadas por moradores que precisam viajar para outras cidades em busca de atendimento médico.
“É, gente, pouca vergonha, né? Mais uma vez a gente aqui vira motivo de pouca vergonha da Prefeitura de Coxim. Os policiais não acham no sistema o curso do motorista e a gente fica parada aqui”, afirmou.
Na gravação, a moradora também reclamou das dificuldades enfrentadas pela população que precisa se deslocar para atendimento médico fora do município.
“Terça-feira passada nós ficamos quebrados. Agora nós ficamos na PRF. E a gente que se ferra, né? Desde não ter médico no nosso município, quando vai para a Capital, nós se ferra de novo. Está difícil”, disse.
A mulher também fez críticas à administração municipal e a políticos que, segundo ela, aparecem no município durante períodos eleitorais.
“Depois o prefeito fala que faz tudo. Daí os bonitos deputados, senador, tudo vai lá pedir voto. Que bonito, né? Ano de eleição. Que lindo!”, declarou.
Por fim, ela lamentou a situação enfrentada pelos pacientes que saíram de madrugada para buscar atendimento em outra cidade.
“É para acabar, a pessoa cansada, que saiu de madrugada de lá, para ficar numa situação dessa”, completou.
Vereador cobra esclarecimentos:
O vereador William Meira também se manifestou sobre o caso e afirmou que pretende apresentar um requerimento oficial ao Executivo Municipal para solicitar informações sobre a ocorrência.
Segundo o parlamentar, a cobrança por planejamento na área já vem sendo feita e o episódio reforça a necessidade de fiscalização sobre o serviço de transporte de pacientes.
“Tenho cobrado constantemente mais planejamento da administração municipal, principalmente quando estamos falando de um serviço essencial como o transporte de pacientes da Saúde. Por isso, vou apresentar um requerimento oficial ao Executivo, solicitando informações e esclarecimentos sobre o ocorrido, a situação da frota, a regularidade da documentação e as providências adotadas para que episódios como esse não voltem a acontecer”, comentou William Meira em suas redes sociais.
O vereador acrescentou que o objetivo é obter respostas sobre as condições do serviço e as medidas que serão adotadas pelo município.
“Saúde exige responsabilidade, organização e planejamento. Nosso papel é fiscalizar e cobrar respostas”, afirmou.
O episódio volta a colocar em discussão a fiscalização e as condições de segurança no transporte de passageiros, especialmente quando o serviço atende crianças, idosos e pacientes que dependem do deslocamento para receber atendimento médico fora de Coxim.