Ana Portela se posiciona sobre relatório da PF envolvendo Moraes e Vorcaro
Candidata a deputada estadual comentou nas redes sociais a divulgação de mensagens e contratos citados no documento
A candidata a deputada estadual Ana Portela usou as redes sociais nesta quarta-feira (2) para se posicionar sobre um relatório de 218 páginas da Polícia Federal que reúne mensagens, registros de encontros e contratos encontrados no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O documento teve o sigilo retirado por decisão do ministro André Mendonça e traz informações sobre a relação entre Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Entre os documentos analisados pela PF está um contrato firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. O acordo previa honorários de R$ 108 milhões líquidos em três anos, chegando a R$ 131,3 milhões em valores brutos. Segundo o relatório, Moraes aparece como último editor de versões da minuta do contrato.
As mensagens encontradas no celular de Vorcaro também mostram a proximidade entre o banqueiro e o ministro. O contato atribuído a Moraes aparece salvo no aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Conforme o relatório, o número teria sido compartilhado com Vorcaro em dezembro de 2023, após encontros presenciais intermediados pelo ex-ministro Fábio Faria.
O material ainda registra pedidos de ajuda feitos pelo banqueiro durante o período em que seus negócios eram alvo de investigações. Nas conversas, Vorcaro buscava tratar de assuntos envolvendo a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o Banco Central.
Outro contrato citado no relatório envolve a Viking Participações e o escritório de Viviane Barci, no valor de R$ 50 milhões. A PF encontrou mensagens relacionadas à negociação e documentos sobre a transferência de ativos como forma de pagamento.
As mensagens foram extraídas do celular apreendido de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero. Parte do conteúdo havia sido enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp e em imagens de blocos de notas. A perícia conseguiu recuperar parte das comunicações a partir dos vestígios encontrados no aparelho.
A divulgação do relatório ocorreu após Mendonça retirar o sigilo da Petição 16.662 e determinar que as novas informações sejam analisadas pelo plenário do STF. A Procuradoria-Geral da República também foi chamada a se manifestar.
Apesar dos conteúdos apresentados no relatório, a documentação não aponta, nas mensagens analisadas, pagamentos feitos diretamente a Alexandre de Moraes. Os contratos citados envolvem o escritório da esposa do ministro, enquanto as conversas registram a relação entre Moraes e Vorcaro. O conteúdo, por si só, não representa comprovação de crime.
Ana Portela comentou o caso em suas redes sociais e usou a divulgação do relatório para fazer críticas à atuação de autoridades e à situação política do país.